Swami
Sambodh Naseeb explica que em cada nível,
a mente percebe o mundo de uma maneira.
Para
fins meramente ilustrativos, muitos sábios
falaram em níveis de consciência. A
consciência é uma só, mas ela
se manifesta em vários níveis. Quando
a consciência se manifesta, cada nível
tem uma freqüência de onda diferente.
Tudo no universo está em movimento, em constante
vibração, o que significa que tudo
se inter-relaciona através de uma vibração
característica.
Como
todos os sete estágios da consciência
estão presentes no ser humano, a questão
não é em que estágio ele está,
mas em qual ele está funcionando AGORA. Qual
está sendo a sua possibilidade AGORA. Porque
num próximo momento você pode estar
funcionando a partir de um outro prisma de consciência.
Nós todos flutuamos por esses estágios.
Num dia só podemos estar uma hora com medo
de não ter dinheiro no futuro e não
ter onde morar (o medo do primeiro estágio),
e depois de uma hora ter medo de ficar sozinho (o
medo básico do segundo estágio), e
mais adiante ter medo de perder o controle da vida
ou uma profunda falta de confiança diante
de tudo (terceiro estágio). Esse artigo é só para
brincar com esses conceitos e ver como a nossa mente
reage diante dos outros e dos acontecimentos. Em
cada nível a mente percebe o mundo de uma
maneira. Aquele que vê o mundo com os olhos
do amor e da compaixão abriu seu coração,
e está funcionando do quarto nível
para cima, muito diferente da pessoa que está só com
medos da vida, sentindo-se separada de Deus, desamparada
e solitária. Mas são apenas níveis
mentais, não são realidades fixas.
Sempre
a questão é: Quais os meus
níveis preponderantes? Quais os meus níveis
habituais? É apenas para isso que ajuda falar
desses níveis. E para notarmos que cada um
deles é natural acontecer. O universo é inteligente.
Você já notou que seu cabelo cresce
sem você controlar? E que sua unha cresce,
seu sangue circula, sua respiração
acontece, sem você escolher? O universo é mágico
e surpreendente. Quantas coisas estão acontecendo
e não sendo feitas por nós, seres humanos.
Por que nós achamos então que podemos
controlar tudo que acontece ao redor? Cada nível
tem sua função e é perfeito
em si mesmo. Nós somos os vários níveis.
Nós precisamos conhecer bem alguns níveis,
pois todos são importantes na evolução
da consciência. Não é uma questão
de que você não deveria ter medo. Nós
precisamos sentir medo para então conhecermos
o seu oposto. O oposto do medo é o Amor. Como
o branco pode ser conhecido sem o preto? Como o baixo
pode ser conhecido sem o alto? Como o alegre pode
ser conhecido sem o triste? Como o sucesso pode ser
conhecido sem o fracasso? Se você não
tem o contraste, não pode conhecer. Sem os
três primeiros níveis de consciência,
não é possível conhecer os demais. É do
carvão que nasce o diamante.
Os
sete níveis ou estágios:
O primeiro estágio da consciência humana é caracterizado
pela sobrevivência. Um teto onde morar, algo
para comer. É a base para a formação
do ser humano. Um corpo sadio e saudável.
O segundo estágio da consciência é caracterizado
pelo desejo de sexo e poder. O desejo de dominar,
competir, e o sexo pelo sexo. Não há encontro
de dois seres, apenas o encontro de dois corpos.
Se para preencher seu vazio a pessoa precisa estar
sempre no controle de tudo, ela estará funcionando
a partir do segundo nível de consciência.
A mente vive sob o império do medo neste estágio.
Medo de perder o controle. Medo de não possuir
o outro. Medo de perder o poder. O terceiro estágio
tem como marca os relacionamentos. Um relacionamento
mais profundo que no segundo estágio, porque
agora, além do sexo, há ternura, carinho,
amor, atenção e cuidado. É claro,
há também posse, controle, inveja,
ciúme e infinitas possibilidades a mais que
o segundo estágio. A grande maioria dos relacionamentos
de amor que conhecemos se comporta dessa maneira:
marcante troca de sentimentos que variam de bons
a ruins.
O
quarto estágio é o Amor. Aqui a
consciência humana experimenta o Amor. Este
amor não é uma alternância entre
amor e ódio. É um Amor, com letra MAIÚSCULA.
Neste nível funcionamos numa entrega à vida.
Este é o chamado chacra do coração.
Você vê a vida como um milagre vivo.
Há vislumbres do amor que as pessoas são,
porque quando a mente está funcionando neste
quarto nível de consciência muitos problemas
e dificuldades desaparecem. Há um engano de
que podemos mudar os nossos problemas. Os problemas
não desaparecem. Na verdade o que acontece é que
você funciona em outro nível de consciência. É como
um filme. Às vezes é aventura, outras é drama.
O que muda é o filme. A percepção
de tudo muda. Quando a percepção da
mente muda, tudo é visto de uma outra forma.
Porque o mundo e a vida são o conjunto de
crenças e sentimentos pessoais que temos sobre
o mundo e a vida. Aquilo que penso ou sinto é minha
percepção. Mas há outras maneiras
de sentir e ver as mesmas coisas.
Mas
o quarto nível é muito frágil.
Nele ainda é fácil se identificar com
os problemas e conflitos dos três primeiros
níveis. Os estágios são regidos
por sentimentos e pensamentos: medo, amor, culpa,
ansiedade, leveza ... Estes são os filmes,
o que diferenciam um nível da mente para outro.
Mas quem é você neste caso? Um nível
da mente ou aquele que percebe que os níveis
mudam? Se você percebe que os níveis
mudam e que você está se identificando
ora com um, ora com outro, note que a mudança
de foco criará uma nova percepção
em você. Se você é aquele que
vê o filme, aquele que nota que os níveis
mudam, você é a pura consciência
que vê. Essa pura consciência que vê chamamos
de observador. A meditação é o
início desse novo ponto de vista. No quinto
nível vibratório da mente você nota
que há um observador que se identifica com
a mente. Ou seja, você percebe que há algo
em você que observa e que não é aquilo
que observa. Este observador foi chamado por algumas
religiões de Espírito Santo.
Quando
você percebe que este observador é você,
e você não é quem você pensava
que era (o ator dos 3 primeiros níveis), então
você está tomando consciência
do quinto nível, que é pura observação
sem julgamento, pois não há conceitos
a serem julgados neste nível. O quinto nível
vê os 4 primeiros níveis sem julgar,
comparar, analisar, comentar, opinar, usar lógica
ou argumentar. O quinto nível é pura
observação. É a prática
da meditação em essência. Os
buscadores aprendem a observar os pensamentos, sentimentos
e sensações corporais sem julgar "bom
ou mau", e a isso chamam de meditação.
Quem julga são os quatro níveis primeiros
- A MENTE CONSCIENTE, que está sempre em comparação. É o
nível do ego ativo. Se você apenas nota
a mente julgar, você aprende devagar a separar
o julgador, do observador que percebe o julgador.
Quando aprendemos que quem está julgando é sua
mente e que o quinto nível é puro silêncio,
e cheio de amor, percebemos que pensamentos e sentimentos
só incomodam quando nos identificamos totalmente
com eles. Aprender a se desidentificar dos pensamentos
e sentimentos passados é meditar. Os pensamentos
e sentimentos estão lá, mas não
são mais controlados pelo ego. E um milagre
acontece: toda aquela energia que estávamos
colocando para fora é guardada dentro. É por
isso que as pessoas dizem que a yoga e a meditação
ajudam a conservar energia. A mente fica mais clara
e deixa de criar problemas desnecessários.
Dizem
os sábios, que os sexto e sétimo
estágios são experienciados pela graça
divina. "Você não pode fazer nada
para alcançar a iluminação",
dizia Buda. Porque a iluminação é uma
entrega total a Deus. Jesus Cristo entregou totalmente
quando disse: "Pai, Seja feita a Tua Vontade".
Gautama Buda entregou quando disse: "Descobri
que não há eu, que tudo é vazio,
que a vida faz tudo por mim". Krishnamurti dizia: "O
pensamento é passado. Descubra o que está presente
Agora". Osho disse: "Iluminação
acontece quando não há nenhum desejo
de ser diferente do que você é. Então
Deus te ilumina com sua graça quando você relaxa
e confia". O sábio Gurdjieff dizia: "Você não
tem um centro. O centro é sua alma. Você é,
nesse instante, muitos desejos desconexos. Você tem
de trabalhar para descobrir seu centro". O sábio
hindu Yogananda dizia: "Só um coração
que conhece o amor pode ver Deus". Um mestre
iluminado simplesmente desapareceu como um eu, porque
ele não quer mais controlar a vida. Mas ele
tem um ego que o ajuda a falar com você. Quando
você chama seu nome ele reconhece. A única
diferença é que ele conhece os níveis
e não se identifica com nenhum, pois ele sabe
que não é nenhum nível, mas
puramente consciência além de qualquer
nível. Consciência que observa os níveis.
Um mestre iluminado vê a vida com uma grande
brincadeira cósmica. Vê tudo como uma
coisa só, e não julga aquilo que vê.
E nota que todas as pessoas são na verdade
iluminadas, apenas precisam realizar isto.
Swami
Sambodh Naseeb - Adaptado por Conceição
Trucom é química, cientista, palestrante
e escritora sobre temas voltados para o bem-estar
e qualidade de vida.
|